CINEMA

A CHAVE DE SARAH

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]
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O nazismo angariou ao povo alemão uma espécie de culpa inconsciente devido às barbaridades de Hitler. É um ponto da história que sempre será lembrado – seja pelo patriotismo que cegou parte da sociedade ou até pelo quase incompreensível (e às vezes, inacreditável) desconhecimento do que acontecia.

Mas, como sabemos, há bem mais países que colaboraram com a Alemanha e que raramente são citados, e o filme “A Chave de Sarah” nos lembra que também a França teve seu quinhão de culpa durante o período em que foi ocupada pelos nazistCHAVE-DE-SARAHas.

A história é contada em dois tempos: no presente, a jornalista Julia Jarmond – personagem de Kristin Scott Thomas -, é encarregada de pesquisar sobre os rastros da presença nazista em Paris para uma matéria na revista onde trabalha. Ao abrir a ‘Caixa de Pandora’ sobre o assunto, ela descobre a omissão da população francesa quando judeus franceses foram enviados a campos de concentração, tendo seus bens confiscados.

No passado, a menina Sarah – a atriz mirim Mélusine Mayance -, é uma das vítimas, juntamente com os pais. Quando os nazistas invadem sua casa, tentando salvar o irmão caçula, ela o tranca em um armário escondido no quarto e pede que não saia de lá até que volte. Enviada para o campo de concentração, Sarah vive uma corrida contra o tempo e tenta, a todo custo, retornar à sua antiga casa para salvá-lo.

É um filme denso, mas quem já viu vários filmes sobre a guerra, sabe que não tem final feliz possível. A parte que retrata o passado é enormemente dramática e, como sempre, nos leva a pensar sobre esse ser humano que somos, muitas vezes totalmente desprovidos de compaixão e respeito pelo próximo. De toda forma, a edição mostra que cenas extremas foram evitadas, como se o filme se dispusesse a a mexer em velhas feridas sem gerar mal estar. Mas isso não diminui o impacto.

Após a saga de Sarah ser resolvida,  o filme segue para a personagem de Kristin Scott Thomas e sua busca minuciosa pelos fatos, o que pode tornar o filme um pouco cansativo, já que se torna menos impactante e mais lento. Nesse trecho, a vida pessoal de Julia se destrincha e se interliga a esse passado distante, e ela se torna obsessiva para encontrar algum vestígio de Sarah.

A Chave de Sarah é um filme que propõe revelar uma verdade quase desconhecida – que é a participação da França em colaboração com o nazismo -, mas não é um filme brilhante, pois se perde um pouco depois que a tragédia da menina se revela. Mas não deixa de ser interessante como mais uma história sobre o nazismo, que sempre nos leva a pensar sobre como isso tudo foi possível.



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