MÚSICA

A MÚSICA E O CINEMA

Carla Dias

Carla Dias

Autora de "Estopim", "As Asas da Borboleta", "Jardim de Agnes", "Os Estranhos" e "Azul", além de participação com contos e crônicas em mais quatro coletâneas - entre elas, "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde ainda escreve às quartas-feiras.Trabalha como Produtora de Eventos junto à baterista Vera Figueiredo [IBVF Produções]. Vive em São Paulo.
Carla Dias

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Sem a música, eu seria aquele ser dissociado do resto do mundo. Sim, a música é a liga, o link, o it, o motivo pelo qual me tornei capaz de me comunicar com as pessoas. Para mim, ela tem um papel não apenas de ingresso gratuito para participar da sociabilidade, mas também de me inspirar a fazer as melhores associações. Sem a música, o meu silêncio se ressentiria.

Não há o que eu goste mais, o que para mim se tornou a trindade perfeita. Literatura, música e cinema me encantam desde que me permiti encantar pela primeira vez.

Por isso mesmo, decidi refazer o feito, com um quê de atualização dos sentidos. Textos de minha autoria sobre cinema e música não são raros. Então, revisitei os meus preferidos, incluí mais alguns. É reciclagem, recomposição, atualização, acesso profundo ao meu afeto por cada filme que, de um jeito ou de outro, melhor, como trilha sonora de destaque ou como personagem, abraça a música. Ela que é poderosa em dizer o que nem sempre nós podemos dizer sobre nós mesmos.

Então, com vocês, dez filmes em que a música faz diferença.


1 de 10

Gonzaga – De Pai Pra Filho (2012) | Direção: Breno Silveira
O pai e o filho deste filme de Breno Silveira são ícones da música brasileira. Se por acaso você não os conhece, por favor, pesquise. Talvez você seja conquistado assim, na lata, pelo acordeom de Luiz Gonzaga, seus baiões e forrós, como eu fui. Quem sabe a poesia melancólica e poderosa de Gonzaguinha lhe apeteça, assim como sua voz que combinava perfeitamente com a sua música. A mim apetecia e segue apetecendo.
Uma história repleta de hits musicais, tanto de Luiz Gonzaga (Nivaldo Expedito de Carvalho/Adelio Lima) quanto de Gonzaguinha (Júlio Andrade), também se debruça em um relacionamento difícil. Breno Silveira fez um belíssimo filme, capaz de homenagear os artistas e celebrar a jornada do pai e do filho.
1de10

2 de 10
Minha Amada Imortal (Immortal Beloved/1994) | Direção: Bernard Rose
Após a morte de Ludwig van Beethoven (Gary Oldman), seu amigo Anton Felix Schindler (Jeroen Krabbé) sai em busca da Amada Imortal citada no testamento e para quem o compositor deixou tudo. Durante essa jornada, Schindler desvenda uma parte da vida de seu amigo que desconhecia.
A história de Beethoven é por si interessante, a sua música é poderosa. Em Minha Amada Imortal, Gary Oldman mostrou aos meros mortais como é que se faz um bom filme.

2de10


 3 de 10

Bird (1987) | Direção: Clint Eastwood
Os fãs de jazz já assistiram e estou certa de que não foi apenas uma vez. Aliás, tenho um amigo que, comprovadamente, assistiu ao filme várias vezes, e fez os amigos acompanharem em algumas delas. Mas Bird merece esse crédito. É um filme baseado na vida de um talentoso músico, o saxofonista americano Charlie “Bird” Parker.
Bird é primoroso e Clint Eastwood o dirigiu com a cadência certa. O ator Forest Whitaker deu vida e viço ao personagem, não deixando a desejar aos fãs de Charlie Parker. Uma grande obra cinematográfica sobre um emblemático ícone da música mundial.

 

6de10

4 de 10

A Lenda do Pianista do Mar (La Leggenda del pianista sull’oceano/1999) | Direção: Giuseppe Tornatore
Este é um daqueles casos em que a música se torna personagem na trama. É de uma lindeza esse filme, de uma delicadeza própria de quem sabe contar uma história e expor o personagem as suas emoções.
Um menino nasce em alto-mar e recebe o nome do ano em que nasceu: 1900 (Tim Roth). Torna-se o pianista do transatlântico, do qual nunca saiu. O mar o inspira emocional e musicalmente. Uma lenda do jazz viaja com ele e o desafia para um duelo. 1900, também conhecido como Danny Boodmann T.D. Lemon, não tem ideia de quão talentoso é.
O filme é um poema. A música de Ennio Morricone é impecável. Tim Roth fez de 1900, o homem que nunca pisou em terra firme e se sente aterrorizado com a opção, um personagem extremamente atraente ao espectador.
4de10


5 de 10

Kolya – Uma Lição de Amor (Kolja/1996) | Direção: Jan Sverák
O violoncelista Frantisek Louka (Zdenek Sverák) foi dispensado de uma importante orquestra da Tchecoslováquia. Agora, ele ganha a vida tocando em funerais no crematório da cidade. Para ganhar um dinheiro extra, impulsionado pelo sonho de viajar, ele decide se casar com a prima de um dos coveiros que deseja a cidadania tcheca. O dinheiro é bom e não há obrigações. Porém, ela desaparece e deixa sob os cuidados de Louka seu filho, Kolya (Andrey Khalimon).
O rabugento músico tem de modificar sua vida por conta de tal responsabilidade. Mas não há nada mais arriscado para dissipar rabugice do que conviver com uma criança carinhosa e cheia de vida. Um belíssimo filme.
5de10

6 de 10

Apenas Uma Vez (Once/2006) | Direção: John Carney
Neste filme, o compositor, cantor e violonista Glen Hansard participou como integrante da banda. Apenas Uma Vez nasceu de um pedido que John Carney fez a Hansard, depois de um show da banda dele, da qual Carney também havia participado, o The Frames. A ideia era que Hansard compusesse algumas canções para que, a partir delas, Carney escrevesse o roteiro de um filme.
Trata-se de um filme sobre música e sobre músicos. Houve quem a princípio acreditasse que se tratava de um documentário. O filme realmente tem esse tom, principalmente nas cenas de estúdio, mas é ficção e das boas.
Na Irlanda, o personagem de Hansard é um músico inseguro em relação as suas próprias músicas. Ao conhecer a personagem de Markéta Irglová, uma pianista que se mudou recentemente para a cidade com o filho e a mãe, o talento de ambos se afina, e a partir daí, a história deles é desenvolvida.
Apenas Uma Vez é, primeiramente, música.
6de10


7 de 10

Habana Blues (2005) | Direção: Benito Zambrano
Ruy (Alberto Yoel) e Tito (Roberto Sanmartín) são amigos e compartilham o sonho de ficarem famosos e irem embora de Havana. A história do desejo dos músicos e a política de Cuba se esbarram constantemente. Ainda assim, os amigos se agarram à oportunidade de alcançarem seu objetivo ao saberem de dois produtores espanhóis que estão recrutando talentos cubanos.
Enquanto Ruy e Tito se dedicam a montar o primeiro grande show de suas carreiras, além das mazelas da vida dos cubanos, o espectador aprecia uma música de riqueza apreciável.
7de10

8 de 10

Accross The Universe (2007) | Direção: Julie Taymor
The Beatles foi aquela banda, a emblemática, que constará como marco, ponto de virada no cenário da música mundial. Tanto sucesso já deu origem a muitas produções, inclusive musicais baseados nas obras dos quatro moçoilos de Liverpool.
Accross The Universe é um ótimo musical com uma história forte como base. A música rege o filme, mas a história de amor de Jude (Jim Sturgees) e Lucy (Evan Rachel Wood), assim como o grupo de amigos envolvidos em movimentos da contracultura fazem uma ótima ponte entre a época, os anos sessenta, e a música. Particularmente, aprecio muito a voz de Sturgees, principalmente em Something (George Harrison).
8de10

9 de 10

Quatro Minutos (Vier Minuten /2006) | Direção: Chris Kraus
Neste filme, a música faz o papel de ferramenta para catarse. Traude Krueger (Monica Bleibtreu) é professora de piano em uma prisão feminina alemã. Ao ver a insurgente Jenny Von Loeben (Hannah Herzsprung) tocando, identifica na prisioneira um talento único, e decide inscrevê-la em um concurso. Enquanto os ensaios acontecem, Krueger passa a conhecer a tragédia de Loeben, compreendendo o que a torna uma jovem tão talentosa inclinada à autodestruição.
Quatro Minutos traz uma das cenas que acho mais belas no cinema. O momento em que Loeben sobe ao palco e toca. Quem espera uma apresentação com prefácio simples e desfecho palatável pode se desapontar. Mas se preferir – e mantiver a mente e o coração abertos -, pode é se encantar. Eu me encantei.
9de10

10 de 10

Assédio (Besieged /1998) | Direção: Bernardo Bertolucci
Este é aquele que não nos cansa assistir, no qual as histórias dos personagens são completamente diferentes, ainda assim, Bertolucci as conecta com maestria. É muito difícil criar uma história onde polos opostos passam a ocupar o mesmo cenário, principalmente quando há amor envolvido, sem cair em clichês românticos, como o deslumbramento não pelo o que o outro é, mas pelo o que ele representa no imaginário.
Em uma mansão que herdou de sua tia, Sr. Kinsky (David Thewlis) compõe sua música ao piano. Seu gosto apurado e a delicadeza da sua visão musical ganham novas camadas com a chegada de Shandurai (Thandie Newton) à mansão. A empregada é refugiada do regime ditatorial africano. Casada, seu marido não conseguiu migrar e foi preso. Sr. Kinsky se apaixona por ela e sua música vai se modificando, assim como sua percepção sobre a vida, enquanto esse amor se fortalece.
A música e a belíssima fotografia regem essa história sobre redenção e escolhas.
10de10


Estes são apenas alguns dos filmes preferidos com destaque para a música. A lista é longa, há verdadeiras obras-primas disponíveis. Aos interessados, vale a pesquisa.

Carla Dias

Carla Dias

Autora de "Estopim", "As Asas da Borboleta", "Jardim de Agnes", "Os Estranhos" e "Azul", além de participação com contos e crônicas em mais quatro coletâneas - entre elas, "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde ainda escreve às quartas-feiras. Trabalha como Produtora de Eventos junto à baterista Vera Figueiredo [IBVF Produções]. Vive em São Paulo.

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