ARTE REFLEXÃ0

ARTE FILOSOFANDO EM BREVE ENSAIO

Heloísa Reis

Heloísa Reis

Artista de algumas modalidades e muitos interesses. Mora na Granja Viana e atua junto à sua comunidade em grupos de caráter sócio cultural e ecológico. Participa do Grupo ArteJunto e é colunista da publicação digital/regional Jornal D’Aqui.
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“A angústia é o caráter típico e próprio da vida. A vida é angustiosa. E por que é angustiosa a vida? A angústia da vida tem duas facetas. De um lado, é necessidade de viver, é afã de viver, é anseio de ser, de continuar sendo, para que o futuro seja presente. Mas, de outro lado, esse anseio de ser leva dentro o temor de não ser, o temor de deixar de ser, o temor do nada. Por isso, a vida é, de um lado, anseio de ser e, de outro lado, temordo nada. Essa é a angústia.
Pois o nada amedronta o homem.”
García Morente


Em nossa existência temos apenas uma certeza: a de nossa finitude. E a inquietação com o sentido da vida nos torna entes peculiares cuja  propriedade mais estranha é a de  termos consciência do resto das coisas e de fazermos parte delas. Seres humanos, desde cedo apresentamos nossos relatos, questionamentos, anseios e faltas.


Serra_Helo

Pinturas rupestres Serra da Capivara .Pará. Brasil


Quando vivíamos submissos às leis da Natureza e buscávamos abrigo nas cavernas, fixamos nossa necessidade de expressão pintando cenas marcantes nas paredes. Assim surgiram os mais excitantes e primitivos museus de Arte da humanidade.

Nossa  ideia de SER veio sofrendo enormes e essenciais transformações no decorrer da História e filósofos  e artistas até hoje tentam explicar esse processo.

Sabe-se que para enfrentar essa jornada  é preciso ir ao âmago das questões, chegar à essência da alma que para Sócrates era a sede da razão – o eu-consciente moral, intelectual e sensível fazendo-se distinto de todos os outros seres da natureza.

A pergunta essencial que Sócrates tentava responder era: o que é a essência do homem? Ele respondia dizendo que é a sua alma e que para tomar posse de si mesmo precisa tornar-se dono de si pelo saber.

Já Santo Agostinho interpreta essa inquietação humana como sendo a necessidade de encontro com a  figura divina. O homem que não entra em contato com Deus seria, em sua visão, inacabado, incompleto, vazio. Em contrapartida, aquele que entra e compartilha do divino torna-se iluminado, completo, descobrindo a verdadeira felicidade.

Com as ciências e os anseios de liberdade  de  Voltaire a Rousseau e a  Kant,  surge a ênfase nas idéias de progresso e perfeição  humanas, assim como a defesa do conhecimento racional como meio para a superação de preconceitos e ideologias tradicionais. O Iluminismo vem como  uma atitude geral de pensamento e ação, buscando um  mundo melhor pela  introspecção e engajamento político-social. Nasce o homem moderno.

Seguindo, encontramos o pessimismo de Schopenhauer dizendo que  apenas pela arte e pelo abandono de si, o homem poderia se libertar da dor; Kierkegaard  considerando  que tanto é possível a dor como o prazer, o bem como o mal, o amor como o ódio.

No entanto enfatizando a eterna insatisfação humana onde a relação do homem com Deus seria talvez a única via para a superação da angústia e do desespero marcada pelo paradoxo de ter de compreender pela fé o que é incompreensível pela razão.

Husserl, Heidegger, Sartre, Ortega y Gasset analizam a seu modo como onde e porquê o homem não assume a sua própria cura, se perde e se aliena – já que  o ser autêntico exige o mergulho na angústia do Nada.


“O Nada de Cordélia” Detalhe.Encáustica Heloisa Reis

“O Nada de Cordélia” – detalhe. Encáustica Heloísa Reis


Ao ter seus anseios de liberdade o homem torna-se responsável por tudo quanto fizer e sem qualquer apoio e sem qualquer auxílio, está condenado a reinventar-se constantemente.

Aqui  trazemos a vida para o agora: a vida humana é sempre minha, a de cada qual, a de cada um de nós. É individual, pessoal e consiste no eu que se encontra numa circunstância no mundo, sem ter a certeza de existir no instante imediatamente posterior e tendo sempre que estar fazendo algo para garantir essa existência.

A ação humana supõe então um sujeito responsável, e a vida é, por essência, solidão.

Entender o vazio existencial numa perspectiva histórico-filosófica nos permite ter um panorama geral amplo e abrangente que abarca diversas linhas de pensamentos dos mais diversos autores e filósofos.

Compreender esse apanhado histórico significa tomar posse dos conhecimentos, teorias e visões que influenciaram e influenciam o que hoje entendemos sobre o tema. E a Arte nos possibilita, agora, empreender uma jornada de identificação do vazio existencial no momento atual, observando as implicações no nosso cotidiano, no sentido de nossa existência e nas nossas vidas como um todo.


Heloísa Reis

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Artista de algumas modalidades e muitos interesses. Mora na Granja Viana e atua junto à sua comunidade em grupos de caráter sócio cultural e ecológico. Participa do Grupo ArteJunto e é colunista da publicação digital/regional Jornal D’Aqui.

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