ARTE

CAPELA SISTINA

Babel Cultural

Babel Cultural

Portal colaborativo administrado por Débora Böttcher, onde muitas mãos escrevem e garimpam artigos e informações visando entreter com conteúdo que promova a reflexão e o conhecimento. Obrigada por nos ler: você é sempre bem-vindo!
Babel Cultural

Últimos posts por Babel Cultural (exibir todos)

Fachada Principal da Basílica de São Pedro

Fachada Principal da Basílica de São Pedro

Localizada no Palácio Apostólico (residência oficial do Papa) no Vaticano, a Capela Sistina foi construída entre os anos de 1475 e 1483 e é conhecida por ser decorada com afrescos pintados por grandes artistas da Renascença.

O afresco é uma técnica de pintura mural, em paredes ou tetos de gesso, que consiste em aplicar cores diluídas em água sobre um revestimento de argamassa ainda fresco, de modo a facilitar o embebimento da tinta.

Local onde ocorrem os conclaves (reunião em clausura), nos quais os cardeais da Igreja Católica elegem o Papa, o nome Capela Sistina – grafado em italiano como Cappella Sistina -, faz referência ao Papa Sisto IV que, entre os anos de 1477 e 1480, foi responsável pela restauração da Capela Magna, capela medieval demolida da qual foram utilizados os alicerces para sua construção.

O projeto foi elaborado pelo arquiteto e escultor italiano Baccio Pontelli: possui um formato retangular com 40,9 metros de comprimento, 13,4 metros de largura e 20,7 metros de altura e, internamente, as paredes laterais e o teto da capela são decorados com diversos afrescos, que retratam o Velho e o Novo Testamento, sendo as pinturas mais famosas do artista renascentista italiano Michelangelo Buonarotti – principalmente as que retratam o Juízo Final. Mas há também pinturas de Botticelli, Cosimo Rosselli, Perugino, Ghirlandaio, Signorelli, entre outros.

Detalhe do teto da Capela Sistina

Detalhe do teto da Capela Sistina

Um dos atributos mais notáveis da Capela Sistina é o seu teto, que foi pintado por Michelangelo. O artista demorou quatro anos para terminar este trabalho, que é um dos mais importantes da História da Arte. Apesar disso, Michelangelo teve grande dificuldade para a realização da obra – trabalhava em cima de um andaime de 16 metros de altura, deitado e pintando sobre sua cabeça, o que fazia com que a tinta pingasse em seu rosto o tempo todo.

As pinturas foram separadas por tempo: na parede esquerda, a partir do altar, são encontradas pinturas que retratam cenas do Velho Testamento. Entre elas, estão “Moisés a caminho do Egito e a circuncisão de seus filhos”, de Pinturicchio, “Cenas da Vida de Moisés” e “A Punição de Korah, Natan e Abiram”, obras de Botticelli, “Passagem do Mar Vermelho” e “Moisés no Monte Sinai e a Adoração do Bezerro de Ouro”, ambas de Cosimo Rosselli e “A Morte de Moisés”, feita por Lucas Signorelli.

Teto_Capela_Sistina_01Na parte direita estão obras que simbolizam o Novo Testamento: “O Batismo de Jesus”, criado por Pinturicchio, “Tentação de Cristo e a Purificação do Leproso”, por Botticelli, “Vocação dos Apóstolos”, de Ghirlandaio, “Sermão da Montanha” e “A Última Ceia”, obras de Rosselli e “A Entrega das Chaves a São Pedro”, de Perugino.

Nas décadas de 1960 e 1970, a capela passou por um processo de restauração, principalmente nos afrescos.


Como Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina?

Michelangelo utilizou uma técnica chamada afresco, um procedimento antigo que resiste bem ao tempo. Antes de receber a tinta, a superfície é preparada com uma argamassa de cal queimada e areia umedecida (daí a origem do nome). Ela seca rápido, o que exige pinceladas precisas e bem planejadas. Como esse tipo de trabalho demanda extrema precisão, antes de começar o italiano teve de estudar bastante quais imagens planejava recriar.

Afresco_Juizo_FinalA tarefa completa levou quatro anos – de 1508 a 1512 – e tornou-se uma das mais importantes obras-primas da história, sendo hoje uma das maiores atrações do Vaticano.

O que pouca gente sabe é que, a princípio, Michelangelo negou-se ao trabalho. Primeiro, porque considerava a pintura uma arte inferior – ele gostava mesmo era de esculpir. Segundo porque não se dava bem com o papa Júlio II, que fez a encomenda: em 1505, ele se envolveu com a construção de um túmulo papal e ficou oito meses na cidade de Carrara, famosa por seus mármores, selecionando pedras para a obra. Só que outro escultor, Bramante (1444-1514) caiu nas graças da Igreja e assumiu o projeto.

Michelangelo acabou aceitando o ofício de decorar a Sistina para provar a todos do que era capaz. A extensão do teto era tão impressionante, que Ascanio Condivi, aprendiz e biógrafo de Michelangelo, chegou a escrever que o convite para a tarefa havia sido feito por rivais de seu mestre – que torciam, claro, para que ele não conseguisse cumprir a missão.

Michelangelo pintou, praticamente sozinho, 680 m² em quatro anos. Mas quando chegou, a Capela Sistina já tinha pinturas feitas por outros grandes nomes da época, realizadas entre 1481 e 1483. Com seus retratos bíblicos, ele cobriu um céu estrelado assinado por Píer Matteo d’Almelia.

Um dos toques de genialidade de Michelangelo foi decidir cobrir o teto da capela com uma única composição de várias cenas do Antigo Testamento da Bíblia. Estão lá a criação do homem, a expulsão do Jardim do Éden e o dilúvio.

Capela_Sistina_04Às vezes, o artista trabalhava deitado. Mas, na maior parte do tempo, ficava de pé olhando para cima, o que lhe rendeu muitas dores. Ainda assim, Michelangelo recusou ajuda na pintura. Aceitou pouquíssimos aprendizes, que faziam toda a parte “burocrática”: montavam andaimes, preparavam pigmentos, limpavam pincéis e ampliavam os originais que o gênio desenhava em menor escala.

Meses após o serviço, tinha dificuldade em baixar a cabeça para ler – precisava colocar o texto acima dos olhos.


MICHELANGELO

MichelangeloMichelangelo Buonarroti nasceu na pequena cidade de Caprese em 1475. Filho de um administrador governamental, cresceu em Florença, centro dos primórdios do movimento renascentista, e tornou-se aprendiz nas artes plásticas e escultura aos 13 anos. Demonstrando enorme talento, foi trazido aos cuidados de seu mecenas – o influente Lorenzo de Médici, chefe da república florentina e grande patrocinador das artes. Depois de demonstrar sua genialidade como escultor em obras como Pietá (1498), por muitos considerada a mais bela e perfeita escultura jamais talhada, e David (1504), foi chamado a Roma em 1508 para pintar a abóboda da Capela Sistina, o lugar mais nobre e consagrado do Museu do Vaticano.

O afresco de teto épico de Michelangelo está entre suas obras mais memoráveis. No centro de um complexo sistema de decoração estão numerosas figures em nove distintos painéis dedicados à história bíblica do mundo. Sua mais famosa composição é A Criação de Adão, uma pintura em que os braços de Deus e de Adão apontam um para o outro. Michelangelo completou a obra em 1512, tendo trabalhado sobre andaimes e deitado por muito tempo, demonstrando inacreditável domínio sobre espaços, proporções e dimensões.

Após 15 anos como arquiteto em Florença, Michelangelo retornou a Roma em 1534, onde trabalhou e viveu até o fim da vida. Nesse ano pintou outra obra-prima, O Juízo Final, sobre a parede acima do altar da Capela Sistina, dedicando-a ao papa de então – Paulo III.

A representação de mais de 400 personagens – todas nus – provocou vivas críticas. Algumas delas seriam “vestidas” em 1566. Ademais, é tida como uma obra-prima dos primórdios do Maneirismo, estilo e movimento artísticos de retomada de expressões da cultura medieval que constituíram manifesta reação contra os valores clássicos prestigiados pelo humanismo renascentista, caracterizado pela concentração numa nova mentalidade.

O estilo levou à procura de efeitos bizarros que já apontam para a arte moderna, como o alongamento das figuras humanas. O mural representa a danação de Cristo aos pecadores e a benção aos virtuosos. Medindo cerca de 13 metros de altura por 12 de largura, esta obra proporciona uma visão dramática e dolorosa do juízo final e rompe assim com a tradição.

Pietá

Pietá

Michelangelo trabalhou até seus derradeiros dias em 1564 aos 88 anos. Além dessas grandes obras, produziu numerosas outras esculturas, afrescos, desenhos arquitetônicos, muitos dos quais inacabados, e outros tantos perdidos.

Foi celebrado em vida como o maior artista de seu tempo e hoje é considerado como um dos grandes artistas de todos os tempos, exaltado nas artes visuais como o é William Shakespeare na literatura e Ludwig van Beethoven na música.

Sua obra gigantesca foi inaugurada em Roma e aberta ao público pela primeira vez em 1º de novembro de 1512. Os críticos e os assistentes postaram-se pasmados diante de tal grandeza. O afresco que decora a abóboda da Capela Sistina mede 40 metros de comprimento e 13 metros de largura.

O teto da Capela Sistina no Vaticano é uma das mais belas obras do genial pintor e escultor, o maior dos artistas da Renascença Italiana.

Atualmente, sete mil lâmpadas iluminam as pinturas de Michelangelo: seu trabalho ficou para a posteridade como um legado de importância inimaginável – até para ele.

Não deixe de visitar se for a Roma.


Veja aqui a Capela Sistina em 3D


Fontes: Jen Green | Opera Mundi | Instituto Camões | Wikipedia

Babel Cultural

Babel Cultural

Portal colaborativo administrado por Débora Böttcher, onde muitas mãos escrevem e garimpam artigos e informações visando entreter com conteúdo que promova a reflexão e o conhecimento. Obrigada por nos ler: você é sempre bem-vindo!

Deixe um recado

Veja os livros que amamos em BABEL SHOP