REFLEXÃ0

CRIANÇAS VÊEM. CRIANÇAS FAZEM.

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]
Débora Böttcher

Últimos posts por Débora Böttcher (exibir todos)

Robert_DoisneauA máxima nos diz que crianças não tem partido político, religião, preconceitos: esses e outros valores são passados por pais, avós, professores e pela sociedade – os ambientes em que vivem.

Outra máxima prega: “Crianças vêem. Crianças fazem.” O vídeo publicitário australiano abaixo ilustra bem a importância do exemplo no comportamento das crianças.

Não há, em nosso país, uma preocupação quanto à preparação de nossas crianças e adolescentes para o exercício consciente do voto. Alguns professores e escolas, normalmente no ensino médio, até se inquietam com isso, principalmente em períodos pré-eleitorais, dispondo-se a discutir propostas, falar sobre os cargos em disputa ou até mesmo realizar debates com alguns candidatos (quando isso é possível). Mas isso é tudo – pelo que sei.

Então você vê uma criança de dez anos debochando do ex-Presidente por ter um dedo a menos, espalhando imagens ofensivas pela perda física – em redes sociais e grupos do whatsapp. Você lê sobre crianças e adolescentes praticando bullying contra o coleguinha negro ou atacando a menina de olhos azuis que afronta a beleza das demais. Você vê crianças maltratando animais com prazer.

No futuro, essas crianças serão aqueles jovens que horrorizarão alguns pais e parte da sociedade atacando um homossexual em plena avenida movimentada – digo ‘alguns’ e ‘parte’ porque há quem aplauda esse tipo de atitude. Também serão aqueles que vaiarão o Presidente usando palavras que deveriam ser impublicáveis. Aqueles que pensarão que ateus e muçulmanos pertencem à classe de pessoas que devem ser temidas e afastadas do convívio. Que pregarão que o povo que mora no Nordeste atrasa o País por não saber distinguir um bom líder.

E onde aprenderão coisas assim? No exemplo que vêem, principalmente, em suas casas. É fato: mesmo que se delegue parte da educação à escola, pais ainda são os maiores responsáveis pelos valores que seus filhos herdam. As conversas que eles ouvem serão assimiladas e repetidas. As palavras e as atitudes ficarão gravadas feito tatuagem em suas memórias e imitadas ao longo de suas vidas.

Eu sei que muitos formarão uma personalidade avessa ao que lhe foi ensinado – e contra isso não há nada que se possa fazer: o meio que escolherão fincar trajetória sempre terá alguma influência. Mas, via de regra, a base dos ensinamentos costuma prevalecer: pais são espelhos.

Eu não tenho filhos, mas com tudo o que ouço, vejo e percebo nas mães e pais que conheço, consigo imaginar como é difícil educar uma criança, prepará-la para a vida, para o mundo muito imperfeito em que vivemos – que também é fruto do que construímos.

E a pergunta que me faço é como poderemos desejar um mundo melhor se não semearmos valores maiores às nossas crianças. Se não aprimorarmos nossas palavras, gestos, condutas, o que podemos passar para esses que serão – e farão – o futuro?

O que você está ensinando ao seu filho?



 

Espalhe por aí...
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Email this to someone
email

Débora Böttcher

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]

1 Comentário

Deixe um recado

Veja os livros que amamos em BABEL SHOP