CRÔNICAS

DESPEDIDA DE 2016

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]
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ideiasDurante 2016 eu me afastei de um monte de gente e um monte de gente se afastou de mim.

Em princípio, pode-se pensar que foi por divergências políticas – e eu mesma pensei assim. Mas quando você olha com mais objetividade para as efetivas razões, vê que não, não foi por isso – até porque, tem gente que diverge politicamente de mim, mas sabe separar identidade de ideias.

O que concluo é que esse ‘detalhe’ funcionou só como a tal ‘gota d’água’ – aquele famoso elemento que faz com que algo ou alguém exceda o seu limite, transbordando, no caso, para a impossibilidade da convivência.

Num amplo contexto, você acaba percebendo também como aquela(s) pessoa(s) que você até gostava um tanto, não tem nada a ver com você – com o que você acredita, vivencia, pensa, compactua. De repente, todos aqueles anos de amizade caem por terra: você se vê sem nenhuma conexão, nada que os ligue. Gente que você constata que não cabe mais junto com você no mesmo espaço – nem nas redes sociais, blogs, grupos, e-mails, e pessoalmente suspeito que me faltaria ar se me visse no mesmo ambiente (eu, que sofro de claustrofobia).

Tem também os conhecidos, que nem chegaram a ser mais que isso – e então nem isso. Aquela vizinha que você até achava simpática, sabe? Ela te atacou tanto no mundo digital, mesmo te ‘conhecendo’ tão superficialmente – e achando que tinha intimidade para tanto -, que quando você a encontra no supermercado procura pelas gôndolas capazes de te esconder, ou ainda, num recurso providencial, vislumbra a porta de saída – nem mesmo um aceno parece se encaixar nessas circunstâncias, tamanho o abismo que as separa. Chega a ser triste…

Nesse ano, também ficou muito evidente pra mim como até mesmo pessoas bem próximas podem ter visões diferentes sobre tudo. Isso me remete à lembrança de um advogado amigo que me disse numa ocasião que durante processos de dissolução de casamentos, ao ouvir o homem e a mulher separadamente, sempre teve a sensação de que ambos eram casados com outras pessoas. Pode soar engraçado, mas não é. E isso acontece o tempo todo, em ‘n’ situações.

Nesse ano, uma pessoa das minhas relações me tirou fora de um projeto ao qual eu me dedicava, mesmo não sendo propriamente meu (era dela e de outra, ambas minhas amigas). Eu perdia tempo – às vezes fazendo coisas durante a madrugada, há quase três anos – para mantê-lo em evidência. O curioso é que a outra pessoa envolvida achou que ela não fez por mal, fez sem querer, fez por ingenuidade. É o olhar diferente sobre tudo: não dá pra julgar, cada um tem o seu. E, nesses casos, você aceita ou se afasta – de uma me afastei, a outra aceitei. São escolhas – e eu gosto do caminho do meio.

Sea-beach-drift-bottleO fato é que a vida segue – sempre segue – e pessoas vão e outras chegam. E para a minha natureza, quase ermitã, as presenças valem mais pela qualidade que pela quantidade. Até aqui, sempre fui de poucos amigos e reconheço que não sou a melhor amiga do mundo – em parte, pela minha total incapacidade de gostar de falar ao telefone; sou quase, eu mesma, uma pessoa virtual, digital, de emails e mensagens, sinais de fumaça, garrafas ao mar. E, pasmem, até mesmo eu que falo pouco, que me valho mais da escrita, posso ser mal interpretada…

Mas seja como for, de minha parte, encerrarei 2016 sem rancor por esses que ficaram pela estrada. Sou daqueles seres que não carregam ‘baú de ossos’: eu deleto – pessoas, palavras, atitudes, tudo que não tem efetiva importância. Meus pesos internos, minhas saudades – passadas e futuras -, e meu cansaço externo – ocasionado pela labuta cotidiana e pelas intercorrências comumentes da existência – me são pra lá de suficientes. Além do que, eu vivo um dia de cada vez – e nesse intervalo de tempo só cabe o essencial…

Feliz 2017!

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Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]

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