CRÔNICAS LITERATURA

DO NOME QUE TEMOS

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]
Débora Böttcher

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Todos_os_NomesAndreas Lubitz. Durante toda semana, muito se ouviu falar sobre o copiloto alemão que, especula-se, derrubou  propositadamente um Airbus nos Alpes Franceses, matando-se e carregando consigo outras 149 vidas que nada tinham a ver com ele – e menos ainda com suas razões para desatino tão descabido.

Pessoalmente, não sou contra nem a favor do suicídio – penso que é uma escolha como outra qualquer, uma decisão a que toda pessoa tem direito de tomar. E se acho triste que alguém não consiga encontrar outra solução para suas aflições, estarrecida mesmo fico quando o suicida age como um deus, tomando resoluções também sobre a vida alheia.

O pai que deseja morrer é livre para tanto, mas não pode saltar do alto de um edifício com o filho nos braços. Alguém que não quer mais viver, não pode abrir a torneira de gás e explodir a casa com outras pessoas dentro. O marido que não consegue lidar com a separação, não pode matar a esposa para aliviar sua dor. Assim como um piloto não pode jogar um avião contra uma montanha porque quer gravar seu nome na História – “deixar um legado importante“, segundo declarou sua ex-noiva, ao afirmar ainda que ele vivia constantemente atormentado pela pressão de seu trabalho e pelas frustrações de não ser um piloto com autonomia. (!!!)

MCEscher

M. C. Escher, Relatividade

Aqui cabe um adendo: por favor, quem nunca se sentiu pressionado ou frustrado, que levante a mão.

Mas com toda a comoção em torno desse assunto, enquanto lia sobre as novas descobertas a respeito da tragédia, o que me perturbou a mente esses dias foi a citação de José Saramago em seu livro “Todos os Nomes” – que é, aliás, uma narrativa espetacular.

Da pior maneira, Andreas Lubitz definiu com precisão a metáfora que me intriga desde a primeira vez que li esse texto e me faz perguntar que nome efetivamente tinha esse jovem rapaz…

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