PAPO DE LETRAS

FORMANDO LEITORES

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]
Débora Böttcher

Últimos posts por Débora Böttcher (exibir todos)

leitores

No contexto do momento, algumas editoras e livrarias tem encerrado suas atividades. Revistas e jornais também parecem estar com seus dias contados.

Para quem ler é um hábito natural, essas notícias são tristes: mesmo que a tecnologia nos proporcione um enorme leque de opções de leitura e que seja possível ler em celulares, tablets, na tela do computador ou laptop, nada substitui o lúdico prazer de ter um livro nas mãos.

Assim, a pergunta que muitos de nós está fazendo é: o livro de papel vai acabar? Esse é um questionamento de difícil resposta e não creio que alguém saiba efetivamente responder.

Mas como formar leitores que mantenham a engrenagem das editoras em produção?

Um primeiro passo é o exemplo familiar: pais que leem, possivelmente formarão filhos leitores. Mas filhos que não compartilham desse indicativo, também podem tomar gosto pela leitura – e, muitas vezes, inverter o processo, trazendo os pais ao hábito da leitura.

No âmbito escolar, é preciso inserir cada vez mais a literatura de entretenimento para dentro da sala de aula das primeiras séries escolares – pois é na primeira infância que o leitor se forma -, e trabalhar com o relato dessas leituras, debater a estrutura das narrativas, discutir seu apelo e sua recepção, partindo do que os alunos leem para construir um repertório em comum.

Depois disso, tomar espaço durante as aulas de português para a leitura de textos literários – que podem variar dos clássicos à nova literatura. Nesse primeiro momento, mais importante do que o bom conteúdo, é criar o gosto pela leitura e, ao contrário do que pensam muitos professores, ler em sala não significa “perda de tempo”. Diversas pesquisas indicam que a prática da leitura — tanto em grupo, em voz alta, como a silenciosa e solitária — incentivam a formação de jovens leitores. Quando professor e alunos planejam e preparam a leitura de um livro, desvendando um texto, sua estrutura e temática, uma interpretação coletiva é construída e uma comunidade de leitores pode surgir – e essas comunidades são a base para o alargamento dos horizontes de seus integrantes. Talvez então Machado de Assis e José de Alencar possam deixar de ser “chatos e difíceis de ler”.

Ao pensar sobre o ensino como uma prática da leitura literária, poderemos garantir às crianças uma porta de entrada para a leitura de textos mais complexos – e para essa nossa grande herança: o universo potente da cultura escrita.

Isso é o que salvará o livro no formato que temos hoje: a formação de uma nova geração de leitores construída solidamente desde os primórdios da infância.


Fonte: Revista Galileu


 

Espalhe por aí...
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Email this to someone
email

Débora Böttcher

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]

Deixe um recado

Veja os livros que amamos em BABEL SHOP