CRÔNICAS

FRACASSOS, ERROS, AMOR…

Débora Böttcher

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]
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erros_blog“O sofrimento proporciona-nos a melhor proteção para a sobrevivência, uma vez que aumenta a probabilidade de darmos atenção aos sinais de dor e agirmos no sentido de evitar a sua origem ou corrigir as suas consequências.”

(António Damásio em ‘O erro de descartes’)

Fracasso. Diariamente a gente acaba por conviver com ele – especialmente quando esquecemos que a vida tem um estranho poder de transformar nossas necessidades e a faculdade natural de mudar a aparência das coisas.

Seria possível cometer apenas erros verdadeiros, falhas genuínas, escolhas que, examinando o passado com o conhecimento de agora, admitimos não terem sido as melhores? Tomar uma decisão errada agindo segundo uma vaga intuição pode ser considerado um erro verdadeiro, com o qual se pode conviver mais facilmente. Deixar de agir de acordo com o que se sabe, da melhor maneira que se pode, é mais difícil de assimilar. O ego perfeccionista é nossa vaidade: detestamos parecer estúpidos. Assim, não é raro negarmos o fracasso. O problema é que ao negarmos nossos erros, nos tolhemos de aprendizado.

Ao longo dos anos, percebi que alguns erros – meus ou alheios – desencadearam em acontecimentos felizes. Nem sempre essa magia impera, mas acontece. E nessas ocasiões, eu penso que se o acaso – como cada um o entenda – interfere em nossas vidas com algum objetivo, independe de nossas escolhas – boas ou más.

Fato é que não é possível evitar desacertos. Podemos minimizar a dor da exposição de nossas falhas, limitando nossas vidas ao que já conhecemos, mas admitir nossas imperfeições significa, em primeiro lugar, reconhecer onde ferimos os outros ou a nós mesmos – e reparar esses danos sempre que possível. Não é fácil trabalhar com essa responsabilidade sem nos sentirmos envergonhados e culpados, mas nosso fracasso em aceitar e entender as restrições pessoais pode nos levar a erros ainda maiores.

Também temos medo de que nossos erros nos impeçam de sermos amados, esquecendo que o amor não se conquista. O modo como tratamos os outros certamente afeta nossos relacionamentos, mas o amor é maior do que nossas atitudes. Isso não é uma licença para magoar quem nos ama, mas ajuda a nos livrar da exaustiva rotina de agradar os outros, tentando ser o que achamos que querem que sejamos, numa tentativa de merecer afeto.

Os erros com que tenho mais dificuldade de conviver são os que cometi por não ter tido coragem de deixar o amor me levar aonde ele queria – e esses erros não podem mais ser corrigidos. Eles exigem que eu me submeta ao que é maior do que eu e me disponha a ir adiante – onde tenho medo de errar. Muitas vezes, a vontade de se livrar de algumas coisas não basta. Assim, concluo que precisarei ser amada com os minhas falhas porque, infelizmente, apesar da minha disposição e desejo, ainda não aprendi de perfeição…

Débora Böttcher

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Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]

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