CINEMA

MOMMY

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]
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O Fantástico discutiu, nos últimos programas, sobre um tratamento de choque para crianças e adolescentes indisciplinados – um tipo de regime militar que vem sendo aplicado há cerca de quinze anos em acampamentos nos EUA para tentar mudar o comportamento de meninos e meninas que, na visão dos pais, estão fora de controle. Na enquete rápida, algo em torno de 80% dos brasileiros poderia optar por enviar seus filhos para um lugar assim. Para ver a matéria clique aqui.

MOMMY, o filme canadense, sucesso de crítica em Cannes no ano passado, conta a história de Diane, “Die” Després – a atriz Anne Dorval -, uma jovem mãe viúva que tenta lidar com o comportamento irascível do filho adolescente, Steve (Antoine Pilon). Surpreendida com a notícia de que o menino, de 15 anos, foi expulso do reformatório por ter incendiado a cafeteria local – o que provocou queimaduras de terceiro grau em um colega -, eles voltam a viver juntos. A trama se passa em um Canadá fictício, onde uma lei permite que pais desesperados com o comportamento de seus filhos problemáticos, possam interná-los aos cuidados do Estado. Pelo que li, essa é uma ficção sobre a lei S-14, que efetivamente vem sendo discutida no País e trata exatamente disso: de abdicar da guarda de filhos que são perigosos para si e a sociedade em favor do Governo – e abdicar aqui significa para sempre, tendo um período de apenas 24 horas após o recolhimento do filho para mudar de ideia; depois disso, não são permitidas nem visitas, apenas contato telefônico.
KevinNo filme, o relacionamento entre mãe e filho é retratado com detalhes que se enredam na contradição dos sentimentos – as esperanças, os medos, o amor incondicional, as frustrações de uma mãe (qualquer mãe) -, ante as escolhas para educar, controlar e proteger um filho – inclusive de si mesmo. A história é pautada pela instabilidade psicológica do menino, que abriga uma personalidade violenta e totalmente imprevisível. No caos que se instala, é curioso perceber como as pessoas se movimentam (e sobrevivem), até com algum humor, tentando organizar a desordem e atentar-se às ocorrências cotidianas e urgentes – que vão desde arrumar um eBeautiful-Boymprego até ir ao supermercado.
A questão passa por muitos questionamentos até a decisão final e acho que sempre será impossível julgar os critérios que levam a uma ou outra deliberação – e para qualquer uma delas, será necessária uma coragem sobre-humana. O que acontece nesse enredo, entretanto, é surpreendente e me levou a pensar em outros dois filmes que recomendo: Precisamos Falar Sobre Kevin – com Tilda Swinton e John C Reilly -, eTarde Demais – com Maria Bello e Michael Sheen. Ambos retratam mães (e pais) que não conseguem enxergar seus filhos com a realidade necessária.
* Clique no título dos filmes para assistir aos traillers e ouça abaixo uma das músicas da trilha sonora de “Mommy” – “Born to Die”, Lana Del Rey
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