REFLEXÃ0

O PALADINO DA MORALIDADE

Débora Böttcher

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]
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acordaQuem prestou atenção no Juiz Sergio Moro logo que ele apareceu como o ‘paladino da moralidade’, desconfiou logo: era o novo Collor, um embuste total. Mas considerando sua vaidade, até que ele demorou pra meter os pés pelas mãos e ‘mostrar a cara’.

A gente sempre tende a puxar a corda para o nosso lado. Então, quando alguma coisa favorece nossa convicção, a defendemos – mesmo que, no todo, não esteja completamente certa. É do ser humano.

Mas algumas coisas não podem ser avaliadas apenas sob o próprio olhar, muito menos em benefício próprio – ou, nesse caso, também em benefício próprio: e se fosse você nas mãos dele?

Você achou espetacular a divulgação dos áudios das conversas do ex-Presidente e da Presidente – e as demais conversas? Achou muito bem pensado ele ter grampeado um escritório de advocacia inteiro? Está achando pertinente a imparcialidade com que a Lava-jato está tratando as delações – onde uns são presos, outros investigados, e outros tem seus processos arquivados sem nem uma reles explicação?

Sei… Então pensa só que se ele foi capaz de afrontar um Chefe de Estado do seu País, a Constituição, a Justiça, de aplicar um parecer seletivo sobre tudo, o que ele não faria com um cidadão comum com quem não simpatiza muito, na surdina, sem holofotes…

imageMas se você ainda não tem uma opinião formada, continua lendo as notícias – e não só as que favorecem suas crenças.

Quando o ex-Presidente Fernando Collor surgiu, era comum ouvir de muitas mulheres da minha geração e da seguinte, que votariam nele porque ‘ele era lindo, jovem, não era político e ia mudar o País”. E ele mudou mesmo, como se viu.

Então, minha sugestão é que você, de qualquer idade – especialmente você que está endeusando o Juiz Moro -, vá estudar um pouco da História do seu País – antiga e recente -, antes de sair por aí com a bandeira/camiseta/faixa do “MoroBloco”. E faz isso logo pra não passar (mais) vergonha.

Débora Böttcher

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]

6 Comentários

  • Muito bem lembrado Débora. Eu me lembro perfeitamente do embusteiro Collor de Mello (a quem eu detestava e detesto) e das bobagens que as mulheres falavam (e os homens também, é claro rs porque a alienação foi geral). Agora vemos tudo se repetindo com outras roupagens e cenários, mas basta reparar _ como você fez _ que a vaidade é que dá o tom da ‘coisa’ toda.

    E quando é assim, a ‘trama’ não se sustenta e uma hora a casa cai…ou melhor: já está caindo…

    abraços!

  • Sinceramente, não concordo “ainda”. Eu prefiro esperar um pouco mais de tempo antes de fazer julgamentos tão precipitados. Jamais sairia à rua exibindo bandeira/camiseta/faixa do “MoroBloco”. Não pertenço a nenhum bloco nem defendo, neste momento, nenhum deles. Prefiro esperar o bloco passar para avaliar a sua atuação. No momento, o bloco que está passando é o do “governo”. Não tenho partidos, mas admiro atitudes (dignas).
    A vaidade é natural nos seres humanos. E, por enquanto, não o considero um “vaidoso” e muito menos o vejo como um deus ou paladino da moralidade, mas alguém que está empenhado em desempenhar o seu papel numa época tão conturbada e tão cheia de enredos – os mais improváveis possíveis. O que acontece, em quase todas as situações, é o tom que a imprensa dá a cada um dos personagens.

    • Oi, Ana Maria,
      A questão, pra mim, passa pelo fato de que um Juiz é um servo da lei e, no meu entender, não pode arbitrar usando a vaidade. Como têm dito alguns juristas, um juiz deve se prevalecer da discrição – coisa que ele não tem, apesar de parecer. É verdade, claro, que a imprensa dá o tom e dá mais ou menos visibilidade a alguém de acordo com seus interesses. Mas eu não gosto do que vejo toda vez que ele aparece. Também não gosto de sua justiça seletiva. Hoje a gente pode aplaudir esse tipo de atitude porque é contra alguém que não gostamos; mas depois, pode ser contra nós – ou seja, arbitrariamente, a lei pode nem ser considerada. Existe lei pra ser cumprida – inclusive por magistrados. Se a lei é para todos, um Juiz não pode aplicá-la seletivamente. Se o sigilo dos grampos foi quebrado, por exemplo, eu quero ouvir as conversas de todos, não só de quem ele julga que a sociedade deve ouvir. Mas esperemos pra ver os rumos do País. Beijo pra vc.

  • Olá Débora, comparar o juiz Sérgio Moro com Collor é de uma injustiça total, já que estamos falando de justiça, Collor se intitulava o caçador de marajá, porém era dono de jornal influente, de família poderosa, o pai no passado foi político matou um colega de parlamento, atirou num acertou no outro que não tinha nada com a peleja. O próprio irmão o denunciou, nos revelou o seu caráter.
    Ele era o próprio caçador de si mesmo.
    Collor só nos trouxe desapontamentos, nos sequestrou até a poupança……é por aí vai.
    O Juiz Sergio Moro “Paladino da Justiça” com você disse, abriu a caixa de Pandora libertando a Esperança, nos resgatou a auto estima, o sentimento de patriotismo, de luta, de justiça contra os “donos”do poder etc….Nunca na história desse pais, um senador, governador, deputados, grandes empresários, altos funcionários do governo foram presos e estão respondendo a processos e perderam seus cargos e muitos já foram condenados.
    Ministros caindo a toda hora, denúncias a cada minuto um verdadeiro Caos político, Uma Purgação de fato.
    O nome dessa Purgação chama-se Lava Jato e seus desdobramentos, leia-se Mistério Público, Polícia Federal, e o Juiz Sérgio Moro. Não podemos julgar umJuiz desse quilate só pela sua suposta vaidade, ao contrário devemos dar suporte ao seu trabalho hercúleo contra a corrupção Sistêmica entranhada na vida pública e privada do país. Entre se afiliar ao bloco da corrupção, roubalheira, desmandos, aos que legislam em causa própria na calada da noite como sombras nefastas contra os interesses do povo e da Nação tão depauperada, humilhada subjulgada por esses traidores, é preferível usar bandeiras/camisetas/faixas/bonés/cartazes e se afiliar ao Morobloco ao invés de ficar em cima do Moro, desculpe quero dizer Muro e tecer críticas sobre a vaidade que é atributo de qualquer ser humano como já foi citado.
    A vida é feita de escolhas pelo menos vamos fazer a escolha certa apoiando a Operação(Cirurgia) Lava Jato(Limpeza), Ministério Público(Povo), Policia Federal(Agente), Sérgio Moro(Paladino).
    Nove meses se passaram estou no Futuro Consciente no Presente por isso escrevi o que escrevi.
    Abraço Fraterno

    • Discordo de vc, Carlos. Por exemplo, um magistrado que comanda um dos maiores julgamentos políticos do País, e ao invés de preservar-se é visto em reuniões sociais, rindo e cochichando intimamente com pessoas citadas dezenas de vezes em delações da Operação que dirige, não parece pilar de esperança alguma, mas sim parte de toda essa sujeira que temos vivenciado todos os dias. Moro é parcial – ou vc acha que não? Quando escrevi esse texto, nem imaginava o que ainda estava por vir. E quando o comparo a Collor, não é pelos atos – os de cada um são obviamente diferentes -, mas pela vaidade e o carisma que tem enfeitiçado muita gente. Pra mim, a conduta de Sergio Moro passa ao largo de não ser suspeita e não tem a minha credibilidade – acho que ele é só mais uma peça nessa baralho emaranhado de corjas que estão tomando o País de assalto. Mas respeito sua opinião, claro. A isso chamamos Democracia – e, por enquanto, ainda está valendo. 😉 Abraço.

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