CINEMA

ROOM [O QUARTO DE JACK]

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]
Débora Böttcher

Últimos posts por Débora Böttcher (exibir todos)

Premiado no Grande Prêmio do Público no Festival Internacional de Cinema de Toronto 2015, Room poderia ser apenas mais um filme terrível sobre o sequestro de uma jovem trancafiada por anos.

Mas dessa vez, com roteiro da escritora Emma Donoghue e direção Lenny Abrahamson, ambos irlandeses, a abordagem parte da perspectiva de uma criança – o menino Jack (o ator mirim Jacob Tremblay), gerado pela violência do estupro.

roomJack, agora com cinco anos, só conhece o quarto com uma pequena janela no teto – o lugar em que ele nasceu e de onde nunca saiu. Através da pequena TV instalada ali, Jack vê o mundo, mas acha que nada daquilo existe. Até que começa a questionar a mãe, Joy – a atriz Brie Larson, de United States of Tara – sobre tudo. É quando ela vislumbra, através da curiosidade do menino e confiando numa maturidade precoce, a chance de sair do quarto.

Como todos os filmes que tem abordado esse tema, o início é aterrorizante. Depois, o terror se transforma em angústia e vai virando encantamento. As sequelas desses sete anos encarcerada e quase diariamente estuprada, aflorará na mãe um trauma psicológico imensurável.

room_02Já a criança, ainda em formação, vai vibrar diante do mundo novo que se descortina e seu processo de recuperação é um pouco menos denso – prova de que as crianças são capazes de um nível de superação quase intacto na primeira infância.

De uma beleza delicada a partir da segunda parte, com os conflitos familiares aflorados por conta das mudanças que ocorreram durante os anos de sequestro, o filme transita pelas relações tentando construir novos laços entre os envolvidos, cada um administrando sua culpa e dor no episódio – e o menino, no centro desse vulcão, fazendo a ponte de religação emocional de todos. Muito bonito…


Assista ao trailer, veja o filme.


O livro homônimo que deu origem ao filme, lançado em 2010 pela escritora Emma Donoghue, foi concebido a partir do caso real revelado em 2008 – que ganhou o noticiário internacional – de uma mulher que foi mantida em cativeiro na Áustria pelo pai (e abusada sexualmente por ele) durante 24 anos, no episódio que ficou conhecido como o caso Fritzl.

Espalhe por aí...
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Email this to someone
email

Débora Böttcher

Débora Böttcher

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Também administra o Portal Feminino Estilo [Mulher] 40 [www.estilo40.com]

Deixe um recado

Veja os livros que amamos em BABEL SHOP