PAPO DE LETRAS

VÍRGULA

Babel Cultural

Babel Cultural

Portal colaborativo administrado por Débora Böttcher, onde muitas mãos escrevem e garimpam artigos e informações visando entreter com conteúdo que promova a reflexão e o conhecimento. Obrigada por nos ler: você é sempre bem-vindo!
Babel Cultural

Últimos posts por Babel Cultural (exibir todos)

virgulaA vírgula é um dos elementos que causam mais confusão na nossa língua, pois há muita dúvida sobre onde deve e onde não se deve usá-la. Ela é um sinal de pontuação que exerce 3 funções básicas:

– Marcar as pausas e as inflexões da voz na leitura;
– Enfatizar e/ou separar expressões e orações;
– Esclarecer o significado da frase, afastando qualquer ambiguidade.

Mas sua utilização não obedece a regras absolutas – existem casos controversos até entre os gramáticos. Entretanto, ela é um ‘signo’ muito poderoso, pois sua colocação pode mudar inteiramente o sentido de um contexto.

Por ex.: “José, Maria e a cachorrinha Judie foram passear.” | “José Maria e a cachorrinha Judie foram passear.” A primeira frase implica que Maria, José e Judie foram passear; já a segunda, informa que José Maria saiu sozinho com Judie para passear.

Assim, vamos listar quatro regras simples que podem ajudar.

1. Use a vírgula para separar elementos que você poderia listar. Ex.: “Pedro, Ricardo, Ana e Sofia foram almoçar.” Note que antes de “e Sofia” não tem vírgula. Um outro exemplo: “A sua fronte, a sua boca, o seu riso, as suas lágrimas, enchem-lhe a voz de formas e de cores…” (Teixeira de Pascoaes)

Vimos aí em cima que, como regra geral, não se usa vírgula antes de “e”. Mas há um caso em que vai vírgula, que é quando a frase depois do “e” fala de uma pessoa, coisa, ou objeto (sujeito) diferente da que vem antes dele. Assim: “O sol já ia fraco, e a tarde era amena.” (Graça Aranha). A primeira frase fala do sol, enquanto a segunda fala da tarde – os sujeitos são diferentes, portanto, usamos vírgula. Outro exemplo: “A mulher morreu, e cada um dos filhos procurou o seu destino.” (F. Namora) – a primeira oração diz respeito à mulher; a segunda aos filhos.

2. Use a vírgula para separar explicações que estão no meio da frase. Ex.: “João, o moço que entrega leite, não apareceu hoje.” Explicações que interrompem a frase são ‘mudanças de pensamento’ e devem ser separadas por vírgula. Sintaticamente, isso é um ‘aposto’.

Também use para a ‘oração adjetiva explicativa’ – quando se explica o sujeito. Ex.: “Eu e você, que nos amamos, deveríamos brigar menos.”

3. Use a vírgula para separar o lugar, o tempo ou o modo que vier no início da frase. Em outras palavras, separa-se o ‘adjunto adverbial’ antecipado. Exs.: “Lá fora, está um frio de rachar.” | “Semana passada, todos vieram para a reunião.” | “Geralmente, ela não costuma se atrasar.” Nas frases, empregamos adjuntos adverbiais de lugar, tempo e modo, respectivamente. Nesses casos, a vírgula também pode ser opcional. Se a expressão de tempo, modo, lugar, etc., não for uma expressão, mas sim uma palavra só, a vírgula será facultativa. Vai depender do sentido, do ritmo, da velocidade que você quer dar para a frase. Tire a vírgula das frases acima e verá que o sentido é o mesmo.

4. Use a vírgula para separar orações independentes – que são aquelas que têm sentido, mesmo estando fora do texto. Ex.: “Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as unhas, demorou o olhar em Mana Maria.” (A. de Alcântara Machado). Note que cada vírgula separa uma oração independente – orações ‘coordenadas assindéticas’.

As orações ‘coordenadas sindéticas adversativas’ também precisam de vírgulas. São aquelas que tem as ‘palavrinhas mágicas’: “mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto”. Ex.: “Eu gosto muito de chocolate, mas não posso comer para não engordar.” | “Gostaria muito de revê-lo, entretanto ainda estou muito magoada.”

Não se usa a vírgula para separar sujeito e predicado.

Jeito errado: “João, odeia chocolate.” | “Alice, Maria e Luíza, irão para a escola amanhã.” 

Jeito certo: “João odeia chocolate.” | “Alice, Maria e Luíza irão para a escola amanhã.”

E em relação ao ‘mas’? Uma dúvida muito recorrente é o uso da vírgula depois do mas. Há um costume de sempre empregá-la depois dessa ‘conjunção adversativa’, mas nem sempre ela é acompanhada de vírgula: a obrigatoriedade da vírgula só existe quando ela liga orações de um mesmo período.

Ex.: “Ele falou muito, mas não disse nada.” | “Saiu cedo, mas chegou tarde.” | “Come muito, mas não engorda.” Note que, nesses casos, a vírgula sempre vem ‘antes’ de “mas”.

A vírgula, porém, é facultativa quando esse “mas” localizado no meio do período tem valor aditivo (equivale a “e”) – fica melhor com vírgula, mas não é errado se não colocar: “Não só o pai mas também o filho viajaram.” | “Não só o pai, mas também o filho viajaram.”

Quando a conjunção “mas” aparece no início do período, a vírgula é obrigatória se depois do “mas” houver uma frase intercalada, que a explica; nesse caso, haverá vírgula também depois, já que a explicação é parte do contexto do qual a frase faz parte. Não tivesse a frase intercalada, a vírgula não existiria.

Observe os exemplos:

“Mas, apesar dos esforços, a meta não foi alcançada.” | “Mas, reconhece o ministro, o Brasil precisa economizar mais energia.” | “Mas, se o quadro não for alterado, o apagão será inevitável.”

Veja que em todos os exemplos aparece uma frase entre vírgulas. Esse detalhe é muito importante, porque uma única vírgula depois do “mas” que inicia período é indicativo de erro – isto é, se não forem duas vírgulas, a pontuação provavelmente estará equivocada.


Fontes: Português na Rede | Português Fácil


 

Babel Cultural

Babel Cultural

Portal colaborativo administrado por Débora Böttcher, onde muitas mãos escrevem e garimpam artigos e informações visando entreter com conteúdo que promova a reflexão e o conhecimento. Obrigada por nos ler: você é sempre bem-vindo!

Deixe um recado

Veja os livros que amamos em BABEL SHOP